Cheguei a Fátima pela manhã do dia 26 de maio e fui diretamente à Capela do Santíssimo Sacramento (Laus Perene), para rezar um pouco. Ajoelhei-me e disse:
– Bom dia, Jesus! Estou aqui à Tua disposição. O que desejas de mim?
Por um breve espaço de tempo, comecei a escutar uma música suave e me vi num lugar lindo, todo azul, e uma luz brilhante me seguia. Escutei então uma voz suave mas firme, indiscutivelmente masculina, me dizer:
– Você fez bem em obedecer o meu comando, porque seu espírito clama por uma resposta àquilo que é decidido por mim, e é de minha vontade atender a seu pedido.
– Senhor Jesus, o que me aflige é ter ouvido em Belo Horizonte, há seis anos atrás, que nosso querido Papa (João Paulo II) em breve estaria com o Senhor, e passado todo este tempo ele continua entre nós. Por que isso está acontecendo?
–Você mesmo não reconhece que sou o dono do sábado?
– Claro, Senhor!
– Pois então Eu sou também o dono do tempo, e esse tempo se estende também ao livre-arbítrio que dei a vocês. Wojtyla, por sua férrea vontade em deixar para a Igreja documentos importantes, fez com que minha vontade também se estendesse a ele, mas sua hora chega.
– Senhor, podes me explicar como isso aconteceu? Porque entendo que desde o início do pontificado dele essa vontade férrea, que falas, já estava instalada.
– Não, não estava instalada! Inicialmente, Eu e minha santa e doce Mãe pedimos a você que reunísse o Grupo Missionário em oração e livrasse Wojtyla dos perigos que estava correndo. Depois, as orações de vocês possibilitaram colocar no intelecto de Wojtyla a necessidade de deixar a Igreja munida desses documentos importantes. Foi através dessas orações que tudo isso aconteceu.
– Senhor, por que estou aqui?
– Estou tirando de você o seu jardim, porque é necessário que ele seja estendido à Obra Missionária de minha doce e santa Mãe. E foi por vontade dela que agora você está aqui, neste local.
– Que jardim é esse, Senhor?
–Quando retornar à sua pátria, saberá.
– Senhor, e a Obra Missionária? Isto também me aflige!
– Sou dono do tempo, não se aflija por aquilo que não lhe compete. É necessário este tempo, pelo mesmo motivo que dei a Wojtyla a oportunidade de resolver questões que irão influenciar no andamento da Igreja.
– Senhor, tens alguma coisa que eu possa fazer para Te agradar?
– Tenho!
– O que é, Senhor?
– Em agradecimento a tudo aquilo que minha doce e santa Mãe lhe passou, durante todo esse tempo, gostaria que dedicasse o ano próximo a esses ensinamentos.
– Como posso dedicar isso à Tua doce e santa Mãe, Senhor?
– Agilizando e fazendo imprimir o trabalho catequético amparado nas palavras de minha doce e Santa Mãe e dedicando o ano próximo aos ensinamentos dela.
– Falas do catecismo leigo, que estamos formando com as mensagens dela?
– Você terá muitos problemas, mas é disto mesmo que estou falando.
– Podes estar certo, Senhor, já estava em meu pensamento essa tarefa, já até comentei com uma missionária isso que tenho em mente, e farei tudo para que aconteça.
–Não é você que tem isso em mente, é minha doce e santa Mãe que lhe inspira esse procedimento. Atenda ao deseja dela! Volte agora à suas ocupações normais e não fale nada a ninguém sobre nosso diálogo, antes de retornar à sua pátria.
– Por que, Senhor?
– Sou dono do tempo, e esse tempo é necessário.
Dizendo isto, comecei a sentir no rosto uma brisa suave. A luz azul começou aos poucos apagar, e quando me dei conta estava ajoelhado na Capela. Saí dali com meu espírito em paz, pelas respostas que obtive de Jesus. Somente em relação ao jardim é que pairava dúvida: que jardim seria esse?…
De volta ao Brasil, em São Paulo, tive a notícia do falecimento de minha querida filha, Miroca, como a chamava, e lembrei-me das pala-vras de Nossa Senhora, há 11 anos atrás:
“Da pequenina flor nascerá um imenso jardim”. |