Cristo Místico (João 16, 5-11)

Basílica de Lourdes, 14 de maio de 2013

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. E eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros. deste mundo já está condenado”.

EXPLICAÇÃO DO EVANGELHO

Esse capítulo 15 do Evangelho de São João começa de certa forma bem claro, pois Jesus vai se mostrando como o Cristo Místico, O Cristo Divino, e poucas vezes focaliza o Cristo Humano. Ele começa dando valor ao Seu lado Divino.
A partir do versículo 9, temos um grande discurso sobre o amor. Jesus se expõe na linha do amor. Depois Ele fala assim: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu Senhor faz; mas vos chamo amigos, porque tudo o que ouvi do meu Pai vos dou a conhecer”. Aqui Ele está se mostrando à humanidade na via do amor, porque Ele ama.
Na verdade essa conotação, essa ideia de ser servo persiste até hoje, porque dificilmente acontece do ser humano ser amigo de Jesus, uma vez que não consegue, ou melhor, não se esforça o suficiente por fazer o que Jesus lhe deu a conhecer, por isso continua sendo servo e não amigo. Contudo, o Senhor está sempre administrando, decidindo, para que o servo receba sempre o Seu comando.
Por tudo isso é que Jesus chama a atenção do ser humano, quando diz: Vocês precisam se estruturar na linha do amor de Deus, pois me dou a vocês na Minha Imagem e Semelhança, como irmão, como semelhante. E essa semelhança tem que ser recíproca, ou seja, de Mim para vocês e de vocês para Mim. É isto que Jesus está falando sobre a linha do amor.
Uma das santas que conseguiu com muita perfeição e simplicidade absorver isso foi Santa Teresinha. No seu livro“História de uma Alma”, ela nos mostra o amor e o que significa a revelação da qual Jesus fala a partir do versículo 9 deste Evangelho de São João. Santa Teresinha não teria sentido este grande discurso de Jesus, se não tivesse seguido essa linha do amor, porque Deus é amor.
Esse amor de Deus, esse amor que Ele nos oferece, não é esse amor que entendemos pela racionalidade. Esse amor para nós tornou-se um toma-lá-dá-cá, isto é, você me ama e eu te amo, às vezes eu te amo e você não me ama, ou nenhum dos dois se ama, mas conseguem comunicar-se de certa forma. Isto é a linha do amor humano, que não chega a lugar nenhum. Esse tipo de amor que acaba, que se muda, que se extrapola, que se leva a caminhos apaixonantes da vida não consegue se estruturar do lado divino da Imagem e Semelhança de Deus nas pessoas.
Quando se fala que Deus é amor, esse amor tem que ser entendido do outro lado, ou seja, do lado do amor de Deus por aquilo que Ele criou. É sobre isto que Jesus está falando.
Deus ama toda a Sua criação, ama tudo aquilo que criou independente de ser humano, animal, a natureza… No entanto, Ele ama mais aquilo que criou à Sua Imagem e Semelhança; e dentro da imagem de Deus, esse amor se completa.
Por tudo isso temos este discurso do amor de Cristo, do amor de Jesus. Ele expõe Deus como Deus, como é o amor, quer dizer, Ele ama a Imagem e Semelhança d'Ele que está dentro de nós. E foi esse amor que provocou em Jesus este discurso.

(Evangelho explicado por Raymundo Lopes, na Basílica de Lourdes)

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