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Mensagens e Diálogos
de
Nossa Senhora

Obra Missionária
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Um sonho enigmático

25 de dezembro de 2002

Vila del Rey

Na madrugada de 24/12/2002, terça-feira, tive um sonho estranho. Me vi dentro de um edifício que me parecia uma igreja, escura e sem vida. Não tinha banco para sentar e nem altar, mas vitrais magníficos, que refletiam luzes coloridas vindas de fora. No centro desse edifício vi os irmãos Hélio Lembi e Eduardo Carvalho, ambos já falecidos. Eles eram “Pequeninos Especiais”, assim chamados e escolhidos por Nossa Senhora para uma dedicação maior à Obra Missionária.

O Hélio estava com uma espécie de bata à altura do joelho, mas não se via suas pernas, era como se não existissem. Ele deslizava como se estivesse andando. No centro da igreja vi o Eduardo. Estava completamente nu. Nisto apareceu um terceiro personagem: um senhor de aproximadamente 80 anos, calvo, com barba e cabelos brancos, vestindo túnica bege claro, com capuz caído para trás, trazendo na frente um escapulário preto. Ele me olhou e disse:

– Veja o que o Senhor deseja lhe mostrar.

E encaminhou-me para uma sala em que havia uma cadeira de
balanço, dessas antigas de madeira, sobre a qual havia uma estola roxa, que pertencera a outro “Pequenino Especial”: o Padre Narciso, antigo pároco da Basílica de Nossa Senhora de Lourdes, em Belo Horizonte, também já falecido. Eu apanhei a estola e retirei-me da sala, voltando para o centro do edifício, onde estavam o Hélio e o Eduardo com esse terceiro personagem, o qual apontou para um crucifixo de tamanho natural, todo iluminado com uma luz estranha, meio azulada, que estava na parede no fundo do edifício. Na cruz pendia um homem que me pareceu ser Jesus, mas sem a coroa de espinhos na cabeça. O corpo desse homem parecia vivo e a sofrer muito, pois se contorcia de dor. Eu estava certo de que sua cabeça era talhada em madeira e que nada sentia, estava inerte como uma estátua.

Dirigindo-me ao Eduardo, exclamei:

– Eduardo, você está nu!

– Não tem importância, porque o corpo de Jesus também está!

Eu quis, em seguida, tampar as partes íntimas do Eduardo com a estola do Padre Narciso, mas o crucificado rapidamente desprendeu sua mão direita da cruz, tomando-me a estola e impedindo-me de fazer o que desejava; e com ela cobriu a própria nudez. Aquele gesto repentino assustou-me e acordei.

Fiquei pensativo, procurando entender o real significado daquele inusitado sonho, que me parecia conter alguma mensagem de Deus. Aquela cena não combinava com nada que me pudesse ter sugestio-nado. Era para mim algo sem nexo. Falei com o Francisco Lembi sobre o sonho. Ele o achou enigmático.

Nesse dia cheguei em casa por volta das 24 horas, com sono, e fui dormir. Às 2:30 horas acordei com a campainha do portão tocando. Preocupado, desci as escadas e abri a porta da sala. Nada vi. Mas a campainha tornou a tocar. Percebi que chamava do portão de entrada da casa. Pensando ser alguém ou mesmo um parente necessitando de ajuda, saí descalço, de roupão e fui até o portão. Ao abri-lo, deparei-me com o garotinho que sempre me visita. Estava lindo, arrumadinho, vestia moleton branco e estava descalço. Vendo-me, exclamou:

– Daniel, hoje estamos iguais!

– Como assim, eu não me chamo Daniel?! Fico confuso quando você me chama assim. E como podemos estar iguais?

– Eu e você estamos descalços. – deu uma risadinha e continuou – Posso entrar?

– Mas, a esta hora, o que deseja de mim?

– O Senhor Jesus e a doce Senhora desejam que conversemos sobre o que sonhou na noite passada.

– Mas, a esta hora?

– Que hora? De onde venho não existe hora, mas somente o tempo do Senhor. E o tempo do Senhor é este. Posso entrar?

– Pode. Mas você deseja conversar onde? Na Capela?

– Não, Daniel, o Senhor me instruiu para que falássemos aqui fora.

– Por favor, não me chame de Daniel!

– Por quê?

– Porque não gosto e não me chamo Daniel.

– Como é seu nome?

– Você sabe, não me faça de bobo!

– O Senhor lhe deu um nome, e o nome que o Senhor lhe deu é seu, e você terá sempre esse nome diante do Senhor!

Dizendo isto, caminhou comigo até a Pracinha do Triunfo, onde tenho uma imagem de Nossa Senhora. Foi logo sentando no chão, na minha frente, enquanto sentei num banco e lhe disse:

– Levante-se daí, que está frio. Sente-se ao meu lado!

– Não. Para o seu bem é necessária uma distância. Aqui está bem, não se preocupe! Lembra do que sonhou na noite passada?

– Claro que me lembro, até falei com o Francisco que iria escrever o que sonhei, porque não entendi nada.

– Irá entender. O Senhor quis lhe mostrar o que irá acontecer depois da morte de João.

– Que João?

– O que foi Wojtyla.

– Ah! já sei, o Papa (João Paulo II).

– O edifício escuro recebendo luz externa é a Igreja. O corpo do homem se contorcendo de dor é o Corpo Místico de Cristo dentro da sua Igreja; e a cabeça de madeira é o futuro comando da Igreja, insensível e sem vida. Aquela estola sacerdotal representa a Igreja conservadora. Você estará com ela nas mãos, tentará com ela encobrir a nudez leiga, mas o Corpo Místico de Cristo irá arrebatá-la de suas mãos para encobrir a própria nudez.

– Mas, o que representa para você a nudez? – perguntei.

– O sentido dessa visão da nudez o Senhor quer que a compreenda como estar exposto. Você desejará isentar o Grupo Missionário de estar exposto aos sofrimentos que virão, mas o Corpo Místico de Cristo é que deverá ser preservado, e não vocês.

– Quer dizer que, mesmo diante de uma insensibilidade da Igreja no novo papado, devo lutar para preservar os valores, expor inteiramente o Grupo Missionário e poupar a Igreja de qualquer comentário que possa trazer polêmicas?

– Sim, é este o sentido!

– E o Hélio sem as pernas, o que significa aquilo?

– Vocês andarão com a ajuda sobrenatural do Senhor, mesmo que lhes falte como caminhar.

– E o velho?

– Sou eu. – ele respondeu.

– Você, um menino?...

– Daniel, Daniel, não traga sobre você o descontentamento do Senhor!

– Por quê? Não estou entendendo. E só para lhe lembrar mais uma vez, meu nome é Raymundo.

– Eu sou novo, sou velho, sou homem, sou mulher, não tenho raça. Sou a representação da vontade do Senhor; e o Senhor vem há tempos incutindo em você o entendimento dessas coisas. É necessário que abra de uma vez por todas seu coração, porque temos muitas outras coisas para lhe revelar.

– Para quê? Não pretendo falar nada disso a ninguém; e se eu o fizer será para poucos, e pessoas sem importância na história da Igreja.

– Não duvide da força do Senhor!

Em seguida ele levantou-se e pediu para que eu ficasse sentado, até que chegasse ao portão. Fiquei olhando-o caminhar, até sumir no portão.

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