Em março de 922, numa praça da maravilhosa cidade de Bagdad, naquela época, capital do mundo muçulmano, era executada uma condenação à morte.
Uma multidão imensa havia se reunido para assistir à cena cruel. Ibn Mansur al Allaj, um homem de 64 anos, conhecido por todos pela fama de santidade ou como Jesus, pelo nome de revolucionário da ordem pública, havia sido levado ao local da execução. Foi flagelado com 50 golpes de chicote, cortaram-lhe as mãos e os pés e foi crucificado para espetáculo da multidão. Enquanto esperava a morte na cruz ele falava: Ó meu Deus, eu vou entrar hoje de manhã na casa dos meus sonhos para contemplar as tuas maravilhas. Ó meu Deus, que dás teu amor até a quem te ofende, como deixarás de mostrar teu amor por aqueles a quem é feita ofensa em Ti?
No dia seguinte, ele ainda não tinha morrido, então lhe retiraram da cruz para lhe cortarem a cabeça, ele falou: A única coisa que quer o místico é Deus, só Deus. Então recitou o verso do Alcorão: Os que não acreditam na última hora, são levados para ela com rapidez, mas os que crêem, esperan-na com temor e reverência, pois sabe que ela é a verdade. Foi sua última palavra quando ofereceu a cabeça para ser cortada.
Seu corpo foi envolvido num lençol e regado com óleo e queimado, e suas cinzas espalhadas pelo vento da torre da Manara.
Ele ensinava: A gente vai em peregrinação à Meca, mas eu vou em peregrinação ao meu hospede amado. Eles oferecem cordeiros em sacrificio, eu ofereço o meu coração e o meu sangue. Alguns fazem procissão em volta do templo, sem estar corporalmente na Meca, pois é em Deus que eles caminham, e ele dispensou-os do Haram.

|